sábado, 20 de abril de 2013

O SERMÃO E A APLICAÇÃO


O SERMÃO E A APLICAÇÃO

sermão_aplicação
Você preocupa-se com a aplicação das suas mensagens? Parece que está é uma parte
 do sermão que não desperta o interesse dos pregadores. Esta impressão só faz crescer
quando percebemos a incrível falta de variação em nossos púlpitos. Nem mesmo os
 teleevangelistas escapam desta critica. Escolha qualquer um dos dois pregadores mais 
famosos da televisão brasileira, e assista-o por umas quatro semanas. No segundo mês, 
você pode até não saber qual o tema que ele irá pregar, mas não espere nenhuma 
aplicação diferente do que ele disse nas quatro mensagens anteriores. Tudo se reduz a
 repetição sobre repetição.
O problema só tende a se agravar, pois a cada dia mais se percebe que os pregadores
 se sentem vocacionados a darem palestras de auto-ajuda, ou então, se sentem como
promotores de ‘pentecoste’. No primeiro caso, não importa sobre qual texto bíblico ele vai
 pregar, certamente a aplicação será sobre como ser vitorioso, como ser prospero,
como ser feliz, como vencer a depressão, como se dar bem no amor; etc. No segundo
caso, qualquer que seja o texto bíblico, o pregador certamente tentará ‘botar fogo’ na
 Igreja com algumas expressões ‘avivalistas’ e, claro, ‘demagógicas’ também.
Entendo que o pregador deveria planejar antecipadamente a sua aplicação, assim
 como planeja os detalhes do seu esboço, ou de seu manuscrito. Não poderia isso
barrar a ação do Espírito Santo? Impossível, a menos que alguém defenda a tese de
que o homem é autônomo, e que pensa, sente e cria independentemente da graça de
Deus. Sustentar que o estudo e a preparação prévia sirva de impedimento a obra do
Espírito Santo é uma blasfêmia contra a Majestade de Deus.
O planejamento antecipado da aplicação, ou das aplicações, trará bons frutos para
o pregador. Primeiro porque ele jamais subirá ao Púlpito sem que tenha uma aplicação
 em mente. No improviso é comum que o pregador simplesmente aguarde alguma
inspiração de momento, mesmo que já tenha alguma idéia do que deseja falar. Uma
outra vantagem é que ao planejar sua aplicação, o pregador poderá avaliar sua
veracidade e também sua coerência com a exposição bíblica que tem feito. Além disso,
a aplicação da mensagem não é um momento para tentar incendiar a Igreja de forma
artificial e forçada; tendo o pregador preparado sua aplicação, este risco é minimizado
– ele sabe exatamente o que deseja transmitir.
Não deveria ser estranho que o pregador preparasse antecipadamente a aplicação
de sua mensagem. A estranheza está justamente na idéia contrária. É de se supor que
a própria preparação da mensagem implique em algo a ser dito, uma lição a ser
ensinada, um valor a ser transmitido, um convite a ser feito, enfim. A aplicação está para
o sermão, assim como o amor está para a alma. Preparar um sermão e não pensar
 em sua aplicação é um contra-senso.
Um excelente sinal de que é preciso investir mais em suas aplicações, é quando você
começa a sentir que a Igreja já sabe onde você quer chegar antes mesmo de você
assumir a tribuna. Em outras palavras, quando falta variação em seus apelos, está
passando da hora de olhar com mais carinho para esta parte tão importante da pregação.
Preparar antecipadamente a aplicação da mensagem facilita naturalmente a variedade
 do apelo. Isso ocorre, pois na preparação o pregador não está sob a pressão do
 púlpito, de modo que ele pode pensar com mais clareza sobre as implicações do texto,
 as possibilidades da mensagem, as necessidades da Igreja, etc. Quando deixamos
 que a aplicação ‘flua’ com o andar da mensagem, ficamos a mercê do que iremos sentir
 ou não diante da audiência, além de ficarmos reféns da memória. Não é incomum
que em tais ocasiões, recordemos de algum detalhe qualquer, e que de algum modo
tem, de fato, relação com o tema, e acabamos descobrindo que perdemos precioso
tempo falando sobre aquilo…
O ideal é que a aplicação da mensagem aconteça de forma natural, sem forçar a
barra, e sem dar saltos ou fazer malabarismo ‘lógicos’. A forma mais segura de
atingir este ideal é se manter fiel ao significado do texto que está sendo pregado.
O que o escritor bíblico está querendo ensinar? Como isso se relaciona com a vida
da Igreja hoje? Existe algo que precisamos mudar para estarmos dentro do que
propõe o texto? Ou seja, a aplicação deve nascer de um correto entendimento do
 texto pregado, e seguir o tema proposto pela pregação.
Como cada pregador tem o seu próprio estilo de falar e se apresentar, não ousaríamos
 falar de formulas para uma boa aplicação. Nem ousamos dizer que seja impossível
 fazer alguma aplicação de improviso. Por experiência própria afirmamos que
 aplicações improvisadas são possíveis mesmo quando estamos lendo um manuscrito!
Não é algo comum, nem muito seguro, mas acontece! Como sempre gostamos de
 lembrar, não devemos olhar para as regras homiléticas como gesso para a vida, mas
como princípios de conduta.
A preparação da aplicação também poderá te auxiliar a aprimorar o seu estilo, bem
 como a qualidade literária, ou artística da sua mensagem. Na fase da preparação o
 pregador pode descobrir que a estrofe de um hino da Harpa serve perfeitamente como
aplicação, ou aquela reportagem da Veja, ou determinada ilustração que leu em
algum lugar… As possibilidades são inúmeras, e fluíram com grande proveito para o
 obreiro que deseja servir ao Senhor com o melhor que possui.
Quando o homem se coloca perante o povo de Deus como um ‘atalaia’,
pressupomos que o mesmo tenha uma mensagem de Deus, e que tal mensagem
nunca voltará vazia (Isaías 55.11)… E é o pregador o instrumento utilizado pelo
Espírito Santo para despertar mentes e corações. Ou seja, você!
Paz e GRAÇA

PoRHipoilto Cesar

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